Talvez


É estranho te ver e não te reconhecer
Talvez porque você nunca fez parte de mim
E eu também nunca fiz parte de você
Talvez eu quis te seguir por não ter a quem dar a mão
Talvez você me guiou por também não ter direção
Talvez eu preferi seu calor do que a solidão
Talvez você preferiu me esquentar do que viver em vão
Contudo o "talvez" já não mais valia
Por fim o "talvez" foi separando as nossas vidas
Só sei que hoje nada somos
E nem lembramos do que fomos
Talvez porque assim que deveria mesmo ser
E nós que teimamos poder do "talvez" viver

Só por hoje

























Só por hoje não quero suas falsas verdades
Porque amanhã sei que vou querer escutar
Só por hoje não quero seus olhos distantes
Porque amanhã sei que vou seguir seu olhar
Só por hoje não quero seus fracos abraços
Porque amanhã sei que vou te implorar
Só por hoje não quero seus beijos frios
Porque amanhã sei que vou querer me esquentar
Só por hoje decidi, que na minha vida você não mais está
Só por hoje quero que você entenda
Que o amanhã nunca mais chegará
Que o amanhã não existe mais
E é no hoje que eu passei a acreditar

Agora

























Em nossa troca de olhar, pude ver tanta verdade
Não quis em mais nada pensar
Não questionei a realidade
Não quero saber nada sobre você
Não quero buscar o que poderia te oferecer
Nem lembrar do ontem
Nem no amanhã imaginar
Só o que me interessa é te ver
E sentir você me enxergar
E cada vez mais os olhos aproximar
Sentir o calor do corpo, a força do abraçar
O gosto do beijo, despertar o desejo
Não quero nada pedir
Não tenho nada a falar
Só quero que prometa
Que o agora nunca vai acabar

Espero


Sempre que te vejo partir
Acredito que é pra ficar
E me acabo no vazio
A solidão passa a me acompanhar
Fico sem rumo, perdida
Não consigo me adaptar
É quando percebo que nem me importo
Que a verdade é que você voltará
Porque sempre foi assim
E sempre será
O que nos atrai, não sei como chamar
E nem vale me preocupar
Pois quando eu vou e depois volto
É você quem está a me esperar
E mesmo com tantas razões
Tantas inverdades, tantas desilusões
Não conseguimos nos afastar
Me resta então, ver você partir
E esperar o momento em que vai voltar

Nada de mim

























Na forma em que me vê
Naquilo em que quer acreditar
Nem imagina o que realmente é
Não tem noção do que eu poderia te ensinar
Talvez, não seja capaz
Talvez, nem queira tentar
Mas se pudesse ver o que sou
Não iria querer outro lugar
Também não faço pra demonstrar
Não me importo se não pode me acompanhar
Se você pudesse saber, sentir, explicar
Talvez não fosse tão bom querer esse olhar
Então continuamos assim
Eu, com tudo o que poderia te dar
Você, com o nada de mim
Com o nem poder imaginar


Companheira Lua

























Ó Lua, tão sozinha quanto eu
Poderia me explicar
Os mistérios do amar?
Ó Lua, tão triste quanto eu
Me ajude a entender
Como posso querer sem poder?
Ó Lua, tão distante quanto eu
Me responda por favor
Onde foi parar o meu amor?
Será o meu destino ser como você
Tão sozinha, tão triste, tão distante?
O futuro não há como prever
Então, ó Lua, só por hoje
Faça companhia à mim
Que eu acompanho você

O Fim

























Depois do fim o recomeço?
Não, não há como pensar em começar
Os dias não mais passam
As noites nunca acabam
Onde encontrar o abraço protetor?
Onde encontrar o olhar acolhedor?
As promessas irrealizáveis
Os beijos intermináveis
O jeito doce de me maltratar
O fingir acreditar que nunca ia acabar
Os planos, os sonhos, as noites frias
O corpo quente, o bom dia
O tempo tudo levou, nada restou
Nem a vontade de tentar
Nem a esperança de recomeçar
O amor acabou
O ciclo, enfim, encerrou

Basta um olhar

























Quando eu vejo, já estou no seu olhar
Estremeço ao tentar me explicar
Como traduzir eu estar no seu olhar?
É quando percebo que você está em mim
E nem pergunto o porque estamos assim
Se o agora permite nos entregar
Sem pudor e com vontade
Não deixamos o momento escapar
E é tudo tão mágico, tão verdadeiro
Que ninguém tem coragem de ir primeiro
Então vem o inimigo tempo separar
A realidade atormentar
E nos perdemos novamente
No amanhã, entre tanta gente
Vai ficando difícil se lembrar
É quando vem a tal saudade
Mostrar que é possível se encontrar
Basta um outro olhar
Pra magia toda começar
A solução seria ter esse olhar todo dia?
Mas com tanta contradição, isso valeria?
O destino talvez possa explicar
Devemos tentar?
Ou deixamos o acaso continuar a nos guiar?

O (des)encontro


Inicialmente a atração
Olhar, passos, mão
Provocando assim o tocar
Voz, palavras, respiração
Sentir o corpo dançar
Na melodia do violão
E no encontro das almas
Escutar o coração
Ocorre então a perfeita comunhão
Por fim a solidão?
Pra onde foi a paixão?
Não mais violão
Não mais coração
Não mais comunhão
Onde está toda a perfeição?
E diante de tanta desilusão
É que vem a inspiração
Para uma nova composição

Nova!

Como dizia Clarisse Lispector:
" Tenho medo de escrever. É tão perigoso. Quem tentou, sabe. Perigo de mexer no que está oculto. Para escrever tenho que me colocar no vazio e neste vazio é que existo intuitivamente. As palavras que escrevo escondem outras. Quais? Talvez as diga, talvez não..."



Depois de quase três anos sem escrever nada, minha inspiração voltou. Dessa vez, ela pode durar para sempre. Pode durar apenas alguns dias. Pode ir embora e voltar. Ou pode sumir para nunca mais. Não há como saber, somente aproveitar enquanto ela está aqui :)

Anterior à este post, estão poemas antigos, de 2008 para trás. A partir deste, somente atuais. Para celebrar a volta da inspiração, dedico essa postagem às borboletas, que como o meu corpo não nega, fazem parte de mim. Delas vêm a renovação, o olhar o mundo de outro ângulo, a liberdade...

Eu te amo


Te amo demais, amo cada vez mais
Te amo agora, amo dentro e fora
Te amo com tudo, amo absurdo
Te amo querendo, amo vivendo
Te amo esperando, amo adorando
Te amo loucamente, amo inconsequente
Te amo rindo, amo chorando
Te amo sofrendo, amo odiando
Te amo dormindo, amo acordando
Te amo sozinha, amo falando
Te amo brincando, amo comendo
Te amo me vendo, amo me amando 
E amo te amar

*Escrito no ano de 2008

Ainda existe amor?


Meus olhos me viram triste, o quão triste pode ser? 
Meus lábios e minha pele não te alcançam mais 
E onde está a vontade de se aproximar? 
Meu coração morreu junto com a esperança de te ver voltar 
E será que eu quero que volte? 
É confuso ter-te junto e longe, ter-te dentro e fora 
Será que ainda quero ter-te? 
Não penso em nós juntos e nem separados 
Mas penso em nós, como pode ser? 
Meus atos e minhas vontades ainda dependem do seu olhar 
E você é capaz de me acompanhar? 
Tenho sonhos quebrados por falta de você 
Seriam os sonhos tão frágeis? 
O futuro me prende ao passado 
E o presente... nem o vivo mais 
Será isso viver? 
Me cobro, me torturo, me consumo porque escolho isso 
Existiria outra escolha? 
Todas as respostas eu sei, só não quero responder 
As respostas me assustam 
E talvez nem me façam bem como as perguntas 
Por isso prefiro nada responder 

*Escrito no ano de 2008

O que?


O que nos faz viajar, esquecer os problemas?
O que nos faz viver a cada dia em um dilema?
O que faz o coração acelerar?
O que faz ensaiar e não conseguir falar? 
O que nos faz, das respostas temer?
O que nos faz ficar cegos, faz a perna tremer?
O que nos faz querer se esconder?
O que nos faz ver luz na escuridão?
O que sem motivo, alegra o coração?
O que nos faz sorrir e chorar?
Correr e parar?
Gritar e calar?
O amor que você despertou
O amor que eu preciso pra ter paz
O amor que você conquistou
O amor que não me faz querer nada mais

*Escrito no ano de 2007