De repente


De repente chega você
Mudando as coisas de lugar
Modificando meu modo de pensar
Me fazendo sonhar
De repente, sem querer
Minhas certezas mudaram
Minhas lógicas desmancharam
Isso não era pra acontecer
Não devia desejar como desejo
Não poderia me entregar à você
Mas não sei como fugir
Não consigo mais mentir
Toda a armadura que construí
Toda a proteção que demorou pra existir
Acabou no momento em que te vi
Toda a racionalidade de pensar
Todo o plano de não me entregar
Você levou junto com seu olhar
De repente, me vi assim
E continuo a me perguntar
Seria isso bom ou ruim?
Só sei que foi de repente

O que se faz?


O que se faz ao nada sentir?
Ao achar uma roupa perdida
Ao rever aquela foto escondida
Relembrar aquele pôr do sol
Aquela viagem, aquele mar
Ao reler os versos em letras de forma
Que o tempo não conseguiu apagar
O que se faz ao nada esperar?
As idas e vindas na janela
As perguntas ao luar
Na cama, até o sono chegar
O que se faz ao nada tentar?
Ao nada querer sentir
Ao nada querer esperar?
No fim, até a angústia
É um modo de preencher
Até o chorar, o sofrer
Completam o vazio do viver
Mas mesmo assim
Prefiro no nada permanecer
Do que essas perguntas 
Tentar responder

Respostas

























Nesse silêncio em que me encontro escuto perguntas que vão sumindo sem respostas.
Porque não luto nem contra nem à favor ao que sinto? Todas as vezes que lutei, eu perdi. Seriam perdas realmente ou aprendizados como dizem?
Em noites como essa busco respostas. Várias. Todas.
A verdade é que eu sei, sei de tudo, mas temo. Logo, prefiro fingir, me enganar que nada sei. É mais prático e fácil.
Como e porque tentar explicar coisas que ninguém nunca conseguiu definir? Logo eu tão indecisa e inconstante me arriscaria assim?
Acho que não tenho esse direito, já que o destino (ou o acaso) nos move, nos leva à caminhos, domina nossas vidas, nos guia para o desconhecido.
Mas eu, que tenho tantas dentro de mim, cismo em procurar respostas.
Porque um olhar quase sempre diz tantas coisas sem nenhum som emitir?
Porque muitas de nossas atitudes contradizem nossas palavras?
Eu, de tão inquieta e teimosa, insisto em tentar responder.
As palavras afirmam demais, têm muita certeza quando saem. Elas são como adultos, frios e calculistas, que mesmo sem pensar, sempre querem dizer alguma coisa. As palavras são perigosas, dizem o que não é de fato. Escondem. Mentem.
Já os olhares vêm com inocência e pureza. Como crianças, sem maldades, sem intenções, sem querer. Por isso os olhares são tão admiráveis. Eles falam a verdade, dizem o que as palavras não têm coragem.
Eu não me envergonho de preferir os olhares do que as palavras. Talvez porque minha única verdade está justamente em meu olhar. Está no meu modo de preferir o tal do "Quem és" e não o "O que tens".
"Quem" é muito mais interessante. O "O que" é explicável, previsível, sem graça.
É claro que minhas respostas não são conclusivas, pois tudo muda a todo o tempo e eu mesma, às vezes, não quero acreditar nas minhas verdades.
Porém vejo uma lógica nessas respostas, e enquanto ela permanecer intacta, é nisso que acredito fielmente.
Eu sempre procuro respostas, por isso prefiro os olhares.